"as casas vazias estão sempre a anoitecer.
calam as paredes, os nomes nos estuques,
mesmo nos tugúrios emudecem as paredes.
cheio o ar traz as vozes dos instantes das viagens,
presenças distantes do peso, encantos da leveza,
deambulam as cabeças movimentos circulares.
nos pés do chão ressoam causas, destroços do ar
deslumbram, gemem e empurram para cima as tábuas,
contra as portas do mesmo fundo das vozes.
as casas vazias são assomos de assombração,
mas não chove nas faces dos espelhos, ainda terra,
partidos, hidra, linhas sem direcções, sem sentidos vão.
nas ruas das casas vazias, as luzes acendem só nos olhos
e chove, profano profundo, a água arma as gotas,
ainda não em arco com flechas sins contra o passado."
Óscar Possacos, tábua, Ribeirão: Edições Húmus, 2026, p. 80.

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