Friday, June 5, 2026

ARCÁDIA DE ESPECTROS

 


"Inspirado, o escritor recorda os poetas mortos que perpassaram «naquele interior gracioso do século XVIII» desfilando «em êxtase, entre uma nuvem de Amores côr de rosa», e que evocados pela voz angélica e incomparável da leitora, foram «enchendo, povoando, coalhando» o enorme salão, «encostando-se aos bufetes, debruçando-se sobre os livros, vivendo, familiares e graves», como se Alfredo da Cunha, reerguendo na mão a lira de prata dos árcades, os tivesse convocado a todos para «uma Arcádia de espectros»". 


Manuela Gonzaga, Maria Adelaide Coelho da Cunha - Doida Não e Não!, Lisboa: Círculo de Leitores, 2009, p. 30.

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