Tuesday, June 9, 2026

O CALOR FECHADO DAS MÃOS

 


"Ponho-me na toca dos bichos, nos teus olhos fechados
Na transumância dos animais que buscam os pastos mesmo quando morrem

Como qualquer estação que há-de vir
Como astro que repousa de dia para dia semelhante à estéril que amamenta a sua dor

Ponho-me na semente como abelha que procura o pólen
Ponho-me na esfera celeste de uma criança que se senta no chão

Pedra que se abre no calor fechado das mãos"



Daniel Faria, Poesia, 2ª ed., ed. Vera Vouga, Lisboa: Assírio & Alvim, 2015, p. 301.

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