"Rangem os barcos na sombra,
como portas mal fechadas,
noite adiante quebradas
no segredo que as deslumbra.
Rangem os barcos, e o vento
com a sua voz incompleta,
a chicoteá-los, inquieta
o corpo todo sangrento
da praia que longe, absorta,
já se não move - mas grita,
na solidão infinita
de uma deusa quase morta."
David Mourão-Ferreira, Poesia (1948-1988), 3.ª ed., Lisboa: Editorial Presença, 1997, p. 60.
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