"O tempo, afirmam, tudo encinza e apaga;
E não! só ele é o fumo que se esfuma,
Mais não valendo, não, que vaga espuma
Da eternidade, em vaga sobre vaga.
Mas, homem sou: e tenho visto a chaga
Curar por si, sem ligadura alguma.
(Dos pinheirais ao vento, na caruma
Tombam chamas do lar, de baga a baga.)
Talvez em mude: ao mundo ando sujeito;
Porém, de mim, não tiro a dor ao peito,
Como ao peito não tiro o coração.
E, se a alegria me dissesse: - «Amigo:
Desejas esquecer-te? Anda comigo...»
Eu, simplesmente, respondera: -«Não!»"
António Corrêa de Oliveira, «Saudade Nossa», in Antologia I - Líricas, Porto: Livraria Tavares Martins, 1959, p. 283.

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