Sunday, August 30, 2026

O SONHO

 



"O sonho, para a alma, é tal qual
O que ao sangue é este ar que se respira;
E já que existe a febre, natural
É o triste desvairar de quem delira.

Dirão que o Sonho não é afinal
A mentira de Deus? Isso que tira?
Pois da verdade altíssima, o sinal
Mais claro não será a vã mentira?

Não dá sinais do mar a névoa, ao vê-la?
E o fumo, não será sinal de chama?
E a sombra não será sinal da estrela?

E da piedosa morte apetecida
Não é um roxo sinal, que se não ama,
Este sinal tristíssimo da vida?"



António Corrêa de Oliveira, «Raiz», in Antologia I - Líricas, Porto: Livraria Tavares Martins, 1959, p. 27.

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