"Mrs. Allerton colocou as lunetas e estudou-o com agradável interesse.
- Ai sim? E porquê?- inquiriu Poirot.
- Veja as Pirâmides. Grandes blocos de alvenaria inútil, construídos para satisfazer o egoísmo de um rei despótico e soberbo. Pense nas multidões cobertas de suor que mourejaram a construí-las e morreram durante a construção. Fico doente só de pensar no sofrimento e na tortura que elas representam.
Mrs. Allerton disse jovialmente: - O senhor preferia não ter Pirâmides nem Parténon, nem túmulos ou templos maravilhosos... apenas a satisfação de saber que as pessoas comeram três refeições por dia e morreram durante o sono.
O jovem transferiu para ela a sua expressão carrancuda.
- Sou de opinião que os seres humanos são mais importantes do que as pedras.
- Mas não resistem tanto - observou Hercule Poirot.
-Preferia ver um trabalhador bem alimentado a qualquer pretensa obra de arte. O que importa é o futuro... e não o passado."
Agatha Christie, Morte no Nilo, trad. Isabel Alves, Porto: Asa Editores, 2005, pp. 78-79.
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