"Desci como Orfeu ao fundo dos infernos
para a purificação no fogo
e o renascer da ausência
e da dor que me persegue
Quero ser o leito para adormecer
e que Eurídice sobreviva no meu sono
e na imagem que passa no fundo da caverna
Nas trevas acendo a luz e o alimento
de uma esperança cega de nascença
Há sempre um mito
cravado na alma do poeta
mas a mãe grande de toda a utopia
é a reconstrução da migração das aves
a partir do caos."
Carlos Seixo, O Canto do Noitibó, editora Reticências, 2026, p. 14.

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