"Invoco, nos longes, a minha presença impossível.
Os longes são permanentes.
Lá, onde a beleza reside, deliquescentes
azuis, sois e luares, são permanência intangível.
Lá.
Ser incluso pormenor naquela bruma,
esboçado apenas como um desenho por acabar.
Ser lá, presente como aqui; uma
como nenhuma
distância entre o meu ser aqui e o meu estar lá.
Ir-me além, naquele cerro a ascender-se.
Ver-me daqui a subi-lo.
Perguntar-me «o que é aquilo?»,
imperceptível mexer-se.
Eucaliptos, casas, montes,
águas, pedras, horizontes,
coisas finitas em si.
Outeiros, vales, caminhos,
sebes, rochedos, moinhos...
Tudo no mundo. E eu daqui."
António Gedeão, Movimento Perpétuo, A Bela e o Monstro/ Público, 2023, pp. 56-57.

No comments:
Post a Comment