Wednesday, September 2, 2026

GRANDES MANIFESTAÇÕES

 



"Eustace Robinson, de catorze anos, achava-se de camisa de noite, a saudar, a louvar e a abençoar as grandes forças e manifestações da natureza.
Falou primeiro da noite e das estrelas e dos planetas sobre a sua cabeça, das miríades de pirilampos e das grandes rochas cobertas de anémonas e conchas que dormiam no mar invisível. Falou de rios e de quedas-d'água, de cachos de uvas a amadurecerem, do cone fumegante do Vesúvio e das chaminés ocultas que produziam o fumo, da profusão de lagartos que se achavam enroscados nas quentes fissuras da terra, e das bátegas de pétalas de rosas brancas emaranhadas no seu cabelo. E, depois, falou da chuva e do vento que tudo modificam, do ar por meio do qual tudo vive, e dos bosques onde tudo se pode ocultar."


E. M. Forster, «A história de um pânico», in A Máquina Pára e outros contos, tradução de Miguel Martins, Lisboa: Antígona, 2020, p. 85.

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