"A janela está entreaberta
indecisa entre a brisa e o peso
de um rouxinol, mudo de nascença.
A corrente de ar que nasce desconhece
o rigor cartesiano da sua formação
e crê ser melodia o seu rumor,
pauta deslocada da estante que
tombou entretanto, empurrada
pela vibração do canto imaginado.
Este meu devaneio é só para dizer,
na verdade, que sou íntima da loucura."
Virgínia do Carmo, Um corte leve na polpa dos dedos, Lisboa: Poética, 2026, p. 17.

No comments:
Post a Comment