Thursday, March 24, 2022

DESCONHECIDOS

 



"E as mãos chegaram. As mãos trabalharam por um salário. As mãos nem sequer sabiam a finalidade do seu trabalho. Ninguém se conhecia, os que construíam a sul não conheciam quem trabalhava a norte. O cérebro que sonhou a Torre de Babel era desconhecido daqueles que a edificavam. Cérebro e mãos estavam afastados e eram estranhos. Tornaram-se inimigos, cérebro e mãos. O deleite de um tornar-se-ia o fardo do outro. O cântico de um tornar-se-ia a praga do outro."

Thea Von Harbou, Metrópolis, trad. Vanda Gomes, Silveira: Livro B/Letras Errantes, 2021, p. 99. 

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