Monday, August 31, 2026

MURO IMPENETRÁVEL

 




" - Aquelas montanhas à nossa direita... deixe-me mostrar-lhas. - E afastou uma persiana de metal. Viu-se a cordilheira principal dos Himalaias. - Outrora chamavam o Tecto do Mundo àquelas montanhas.
- Que nome tão tolo!
- É preciso ter em mente que, antes do alvor da civilização, elas pareciam ser um muro impenetrável que tocava nas estrelas. Supunha-se que só os deuses poderiam viver acima dos seus cumes. Como nós progredimos, graças à Máquina!
- Como nós progredimos, graças à Máquina! - concordou Vashti.
- Como nós progredimos, graças à Máquina! - repetiu o passageiro que deixara cair o Livro na noite anterior e que se encontrava no corredor."


E. M. Forster, «A Máquina Pára», in A Máquina Pára e outros contos, tradução de Miguel Martins, Lisboa: Antígona, 2020, p. 30.

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